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Mostrando postagens de 2019

Dispersão Poética

Travessias  (no prelo) Aguarda, poeta, o tempo silenciosamente; mas há gritos ecoando em teus adejos; sonhos insistentes na alquimia de teus desejos.

DISPERSÃO POETICA

Essas tuas matas, poeta, são buscas; mesmo que caudalosamente turvas; são teu alimento diário de tuas margaridas; de sonhos, angústias e sofrimentos.

Retratos de Jerumenha

Sentado à beira do Gurguéia

RETRATOS Aquelas manhãs nasciam convidativas, ali, pelos arredores do riacho do Urubu, mas antes havia o passeio pelo Barro Alto ( foto ), passando pelo Poço Frio. Os arvoredos e o canto do passaredo nos envolvia riachos abaixo. À beira do Gurguéia, ensaiávamos umas taínhas em suas águas turvas, vendos os tiús caindo da velha faveira da beirinha. O tempo ia passando, o riacho cheio, escondendo os escorrega bundas. De repente, escutamos os borás do Moreira nos procurando, nos chamando para o almoço por ordem de nossa querida Margarida. A fome era tamanha, mas ainda atacávamos os pés de muta, Maria preta e os ingás, para amenizar o bucho. O tempo passou, mas são pequenas recordações que nos fazem transportar ao mundo da inocência, onde a criançada se divertia sem medo na trajetória de nossos sertões queridos da velha Jerumenha.

Dispersão Poética

Há um silêncio, poeta, nessa curva temporal; nada é  virtual;  intensamente, ainda há  segredos e sonhos em tempo visceral.

Dispersão Poética

Esses corredores, poeta, ainda te povoa; na brisa doce do tempo; no silêncio soturno de teus incensos; carregados de sonhos e de tormentos.

Dispersão Poética

Riacho do Urubu Dispersão Poética Essas tuas águas, poeta, são bentas; pasto sagrado de tuas Margaridas; palco lírico de tua infância querida; que os anos, de sorte, te darão sempre guarida.

Crônicas e Travessias

Cuidado com o João Besta (?) João Besta O pequeno carnaubal aflorava naquela tardinha chuvosa na quinta de dona Maria Prisulina. O Pocinho, jorrando sua água cristalina pros meninos tomarem banho depois de uma pelada no campo da Galeria. As lavadeiras, com seus filhos pequenos, desatavam suas trouxas pra usar o melhor sabão da cidade, o Edubom. Ou era Edular? Era um corre corre de meninos exaltando suas traquinices numa gritadeira que se escutava a quilômetros de distância. Entre galhos de Marias Mole, adentrávamos, com baladeiras em punho,  nas moitas da quinta próximo à lagoa pra atirar nas rolinhas e lavadeiras que aninhavam-se ali. Foi quando percebi um João Besta se coçando no galho de uma goiabeira, talvez se preparando pra um novo acasalamento. Apontei a baladeira diretamente no passarinho com a melhor pedra de fogo que eu tinha na capanga. Na medida que aproximava mais o bichinho se aquietava. A cerca de um metro e meio, atirei e o João Besta (?) ...

Dispersão Poética

Essas veredas, poeta, são teu salvo conduto; tuas vinagreiras; doces lembranças, contudo; onde coaxa o passaredo de tuas ribeiras.

Dispersão Poética

Acalma-te, poeta, n'alma, essas dores de amores; sem traumas nem rancores; apenas deixa quietos, na vida, esses teus dissabores.