Pular para o conteúdo principal

JERUMENHA, MEU AMOR!


Anos 60, época dourada de uma juventude do interior que não via televisão, só ouvia rádio e você contava as pessoas que o possuíam, sendo que o proprietário de um tinha que colocá-lo na sala e deixar o povo entrar para ouvir o Jornal a ”Voz do Brasil” ou ouvir a rádio globo com Waldir Amaral transmitindo um Fla x Flu diretamente do maracanã, era uma festa.

Luz elétrica, era através de um motor gerador, que consumia muito óleo e tinha hora para apagar. Mas tudo era muito legal; pois bem, voltemos aos patamares da Igreja. Ali, durante a semana, à noite, após o terço, nos encontrávamos para bate-papos e terminávamos realizando uma brincadeira muito engraçada que provocava uns aos outros ( homem e mulher ), que dificilmente não terminava em um namoro ou paquera.

Claro, todos que ali se encontravam estavam de olho em alguém, sentávamos no patamar e enfileirados homens e mulheres ( casais ), sendo que a primeira pessoa deixava o seu lado direito desocupado e dizia em voz alta: “Atenção: o meu lado direito está desocupado”, e outro respondia, “Quem ocupa”, a resposta vinha na bucha, “Fulano de Tal”, a pessoa escolhida saía de onde estava e ia sentar-se ao lado direito de quem a chamou e assim ia prosseguindo, o camarada já iniciava uma conversa com a garota e procurava segurar o máximo que pudesse ao seu lado para conquistá-la, quando o outro chamava e ela já não queria mais ir, aí já sabia que estava seguro e complicava quando uma garota sabia que você estava conquistando à outra e o chamava tirando-o de perto da outra. Puxa!... Foi nesse clima maravilhoso que descobri a minha a primeira paquera.

Quando encerrávamos esta brincadeira, saíamos dali e íamos para o bar do Chico, dançar até a luz apagar ou às vezes no final de semana, quando não tinha festa, fazíamos uma cota e contratava o Urbano Pacífico ou Manoelzinho para tocar na luz de Petromax ( candeeiro, que tinha uma luminosidade maravilhosa ).

Tem outra brincadeira que gostávamos muito, era a “guarda o meu anel, bem guardadinho”, vou deixar para a próxima resenha, esta também, na hora de passar o anel, deu muito namoro, detalhes depois, pois a saudade continua.

Sinto saudades dos meus amigos, das minhas amigas, de muita gente boas e maravilhosas, que voltarei a falar na próxima matéria. Aguardem, isto é, se o nosso amigo Janclerques deixar, ok?

Não esqueci a turma do futebol, das caçadas de canários e cuxixos, dos banhos no pé de manga, do campinho que fizemos e que terminou sendo um campo oficial. Continuarei sentindo saudades.

Colaboração: Chico Amorim

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

RETRATOS

Vultos jerumenhenses Por Pedro dos Anjos Coronel Vicente José da Fonseca Nasceu em Jerumenha - Piauí no dia 5 de abril de 1855, filho de Anacleto Jo sé da Fonseca e de Dona Francelina Carolina da Fonseca, moça do sul do Maranhão. Casado com Dona Estefânia, ,de Medeiros Soares da Fonseca, filha do Capitão Laurindo Soares da Silva, comerciante de Caxias-Maranhão e sua esposa, Dona Ana Joaquina de Medeiros Soares.  O coronel Vicente Fonseca é descente direto do casal, André Martins Gomes Ferreira(1813) e Cândida Josefina da Fonseca(1819) e Mamede Gomes Ferreira(1814) casado com Clementina Dina da Fonseca(1820) dois irmãos casados com 2(duas) irmãs.  Foram esses os dois casais que constituíram grande parte das famílias que hoje habitam o Piauí : família Fonseca, Gomes,, Martins Ferreira, Martins Gomes Ferreira, entrelaçando-se com Rocha, Carvalho, Bemvindo, Castro, Rebelo, Moreira, Nogueira, Paranaguá, Sampaio, Alencar, Linhares, Cruz, Batista, Alves, Dourado, Carreiro Var...

RIACHO DO URUBU

Imagem extraída de nossa inspiração do velho Riacho do urubu. Era aí que costumávamos tomar banho nos escorrega-bundas, banhando na chuva e sentindo os coaxares do mato. Somos filhos desse sertão maravilhoso que ouvimos e que deixamos marcas e lembranças. O serenar do dia fazíamos tocar os borás e os tambores já começavam a ecoar sertão a dentro. Ouvia-se os latidos dos cachorros doidos e os chocalhos das rezes na volta para os currais. A noite vem sorrateira. O sono profundo vem rápido e os sonhos se completam nas perispércias de nossas fantasias.

Retratos do nosso futebol

AMISTOSO EM JERUMENHA C HICOLÉ de Floriano ( grande craque e piolho de bola ) era quem dizia prá gente - “Vocês sabem muito bem como fui criado, o meu pai foi muito rígido na criação dos filhos; lá em casa, tinha dia, que quando ele estava zangado, o único amigo que entrava lá e conseguia sair comigo pra jogar era Nego Chico Kangury ( foto ). Mamãe gostava muito dele e o seu pai, seu Vicente Kangury era um dos amigos confidencial do meu pai, e o outro era o senhor Antonio Segundo, grande enfermeiro, que ajudava até a operar gente no Hospital. Pois bem, aconteceu de ter um jogo importante em Jerumenha.O papai em casa estava zangado, eu teria que ir escondido e voltar no mesmo dia. O Deoclecinho possuía uma caminhoneta e sempre era o encarregado de ir buscar-me e deixar em Floriano, quando acontecia este impedimento. Distancia de Jerumenha para Floriano, 10 léguas e meia ( 67 km ). O Jogo naquela época começava às três e meia da tarde, porque era para terminar ainda com a claridade do di...